O sorriso de quem adotou não um, mas dois filhos ao mesmo tempo
O sorriso de quem adotou não um, mas dois filhos ao mesmo tempo
Na próxima segunda-feira, dia 25 de maio, celebra-se o Dia Nacional da Adoção e o jornal Correio dos Lagos destaca a trajetória de adoção de um casal anitense.
A história de Josimar e Gisely é digna de ser contada, relatada e lembrada por muitos anos. A ideia da adoção começou quando eles ainda namoravam, embora talvez nem eles mesmos tivessem se dado conta disso naquele momento.
Josimar de Oliveira, mais conhecido como Tiguana, tem 36 anos, e Gisely Cristina Schoenardie, 35. Estão juntos há 20 anos e, há quatro anos, são pais de Kédina Schoenardie de Oliveira, de 22 anos, e de Pedro Gabriel Schoenardie de Oliveira, de 8 anos. Moradores de Anita Garibaldi e filhos de famílias conhecidas no município, ela trabalha em um supermercado e ele é empresário.
A história da família começou quando Gisely, aos 18 anos, descobriu a endometriose e precisou passar por uma cirurgia para retirada de um ovário. As trompas já estavam comprometidas pela doença e, naquele momento, ela descobriu que não poderia engravidar de forma natural. Nessa fase, Josimar já fazia parte de sua vida e rotina, pois o casal namorava havia quatro anos. O pensamento de Gisely era de que não poderia privar Josimar de ser pai. Naquele momento, porém, Josimar tranquilizou a namorada e disse que o assunto seria avaliado no futuro.
Passados alguns anos, o casal foi morar junto e a ideia da adoção, que partiu de Josimar, começou a amadurecer.
“Eu dizia: vamos adotar um piazinho bem moreninho”, lembra Josimar.
O processo começou no Fórum, em busca de orientações. “Foram dois longos anos até entrarmos na fila de adoção. Fizemos cursos, era época de pandemia, pagamos psicóloga para nos avaliar, passamos por avaliação da psicóloga do Fórum, assistente social e aí vieram as especificações do que almejávamos. Disseram que, quanto mais especificações, mais difícil seria, e nós colocamos apenas que queríamos uma criança de até 5 anos. Não importava sexo nem cor. A partir daí começou a nossa expectativa”, recorda o casal.
Como Anita Garibaldi conta com uma casa de acolhimento, a Casa Lar, e o casal já havia avançado no processo de adoção, um dia Naiara, que trabalhava no local, enviou uma foto de um menino que estava iniciando o processo de destituição familiar para entrar na fila de adoção.
“Quando a Naiara me mandou a foto do Gabriel e disse que ele era a minha cara, eu já sabia que ele seria nosso filho. Na época, ele tinha entre 3 e 4 anos e a realidade dele era muito triste e precária. A partir dali começamos a visitar a Casa Lar”, lembra Josimar.
Como já estavam habilitados na fila de adoção, eles podiam frequentar o local. Em um dos dias, o casal saiu para tomar sorvete e passou em frente à Casa Lar. As crianças estavam brincando no pátio e foi naquele momento que conheceram Kédina, que abriu o portão para eles. Josimar conta que se encantou imediatamente com a jovem.
“Por uns seis meses ficamos indo todos os dias à Casa Lar e sempre levávamos alguma coisa para todos. Nos finais de semana pegávamos o Gabriel para brincar, jogar bola, e a Kédina, por ser mais velha, cuidava dos outros”, destaca Josimar ao recordar o momento em que surgiu a decisão de adotar também Kédina.
“Um dia falei para a Gisely: ‘Estou com uma ideia. Onde adota um, adota dois’. Fomos perguntar sobre a Kédina para a Naiara, pois ela já tinha 17 anos e, aos 18, teria que sair da Casa Lar. Comecei a pensar no que seria da vida dela. Gostei do jeito dela, não tinha maldade. Falei para a Naiara e para outras pessoas. Alguns me chamaram de louco, mas coloquei na cabeça que adotaria os dois e tudo deu certo. Muitos chegam para mim e dizem: ‘Que gesto bonito adotar’. Mas não é um gesto bonito. Eu queria ser pai e hoje sou pai”, comenta Tiguana.
Nesse período de aproximação, o casal pediu autorização ao juiz para levar as crianças à praia. Também os levavam para jantar em casa e Kédina sempre ia junto, sem saber que também seria adotada, já que tinha irmãos na Casa Lar.
“Com o passar do tempo, o Gabriel não queria mais voltar para a Casa Lar. Ele me chamava de pai e isso mexia muito comigo”, relembra Josimar.
Foram muitas audiências e, quando saiu a decisão favorável, ainda houve mais oito meses de guarda provisória até a definitiva.
“Para eles a adaptação foi fácil, mas para nós foi mais difícil. Eu baqueei. A adaptação foi tensa, durou cerca de um ano, e a Gisely foi o ponto forte da família. Aos poucos fomos colocando o nosso ritmo e tudo foi engrenando. Já faz quatro anos da adoção”, destaca Josimar.
A família enfrentou preconceitos, mas também recebeu muito amor, carinho e acolhimento do restante dos familiares.
Gabriel é natural de Anita Garibaldi e morava no interior do município. Já Kédina nasceu em Fraiburgo e, antes de vir para a Casa Lar de Anita, passou por uma casa de acolhimento em Herval do Oeste. Ela veio para Anita junto com os irmãos, já que os avós residiam em Abdon Batista.
Para Kédina, a adoção já era algo improvável.
“Eu nem pensava mais em ser adotada. Já estava procurando emprego, entreguei currículo em vários lugares da cidade e sofri alguns preconceitos, mas estava me preparando para sair da Casa Lar. De repente, a Naiara começou a conversar comigo sobre a possibilidade da adoção. Aos poucos eles levavam o Gabriel e me levavam junto. Um dia descobri por acaso e logo saiu a decisão. Eu nem imaginava. Era uma pessoa fechada, tinha um escudo para me proteger, e graças a eles fui me abrindo. Contei para o pai tudo o que aconteceu comigo e eles me passaram uma segurança que eu nunca tive. Graças a eles sou a pessoa que sou hoje”, comenta Kédina, que atualmente está casada há um ano com Laura.
Questionados sobre a parte mais difícil de todo o processo, o casal destaca a demora.
“Esperar o processo ser concluído foi a pior parte. Desde o primeiro dia eu já sentia que eles eram meus filhos, e aquele pega e devolve judiava muito da gente. Me dava um desespero e eu tinha medo de não dar certo”, lembra Gisely.
Sobre a adoção, eles são categóricos ao afirmar que o processo é burocrático, cansativo e longo, exigindo muita paciência. Segundo eles, foram testados em diversos momentos, mas quem realmente deseja adotar não desiste.
“Tem muitas crianças que precisam de carinho, amor e de um lar”, finalizam Gisely e Josimar, reforçando que a adoção não é um ato de caridade.
“Nós somos pai e mãe dos nossos filhos.”




Deixe seu comentário