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Ela acreditou no potencial feminino e faz história em quadra

Nesta semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, conheça um pouquinho da trajetória de Marilei de Lourenssi Oliveira, técnica e treinadora de equipes de futsal e futebol feminino de Anita Garibaldi

Há 27 anos, estudar educação física em um ambiente que em sua maioria era frequentado por homens, já era um desafio, imagina no mesmo período despertar o interesse de meninas por treinos e competições de futsal, algo um tanto audacioso para um mundo onde a bola em quadra era dominada pelos homens.
Indo contramão a essa realidade, um pouco desacreditada, enfrentando o preconceito, desafios a Marilei de Lourenssi Oliveira, mostrou que foi e é possível.
Nessa semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, trazemos um pouquinho da trajetória dela, que provou que a bola em quadra ou no campo, também podem ser disputadas pelo sexo feminino.
Marilei de Lourenssi Oliveira, tem 47 anos é filha de Pedro de Lourenssi (in memoriam) e Josefina Guarda de Lourenssi, casada com José Antunes de Oliveira, com quem teve dois filhos o José Lucas de Lourenssi Oliveira e o Thiago Matheus de Lourenssi.
A professora lembra com carinho do início da trajetória. “Comecei a trabalhar como auxiliar na escola particular que a Mariclei, minha irmã, tinha. Em pouco tempo surgiu a oportunidade de estudar educação física, inicie na faculdade de férias, depois transferir para Lages e nesse mesmo período comecei com a primeira turma de futsal feminino. Treinávamos lá na escola mesmo e no ginásio conseguimos um horário das 6h às 10h da manhã nos sábados para treinar. Sofri muito preconceito, pois na época o futsal era coisa de homem, mas aos poucos fomos conquistando nosso espaço”, lembra Marilei enfatizando que nas primeiras competições nem podia ficar em quadra, pois não tinha o registro, mas lembra com carinho da primeira competição que participaram.
Na época da faculdade, Marilei lembra que eram poucas mulheres, na sua turma eram seis mulheres para vinte homens estudando educação física.
Quando começou a participar das competições, tudo era muito difícil, faltava apoio, faltava uniforme. Lembro de uma competição que fomos participar do Moleque Bom de Boa, tínhamos apenas um uniforme, choveu, sujou e tínhamos mais jogos, uma mulher emprestou uma máquina para lavar os uniformes, ai quando retornamos fomos em busca de patrocínio para novas camisetas”, relembra.
“Passei por muitas dificuldades, mas não desisti. No início sofri muito preconceito, agora a realidade mudou”.
Durante esse período, Marilei passou por problemas de saúde, perdeu a visão do olho direito. “Comecei a tratar como sendo conjuntivite, mas não melhorava, foi quando busquei ajuda em hospital especializado em Joinville, que descobrimos que eu tive toxoplasmose, fiz mais de dez tipos de cirurgia, mas acabei perdendo a visão, tentei usar olho de vidro, mas não me adaptei, sofri bastante no início, tive que usar tampão, mas tudo é questão de adaptação”, comenta.
Em 27 anos de atuação no futsal feminino, muitos títulos foram conquistados, porém ir para o Brasileiro e conquistar a terceira colocação, elevar o nome do município de Anita Garibaldi em uma competição nacional, é uma experiência que Marilei guardará na memória.
Outra experiência que ela faz questão de comentar, é a vinda de meninas de outras cidades e até estados, treinar e morar em Anita. “Tivemos a primeira experiência com a casa atleta, porém atualmente as meninas moram com famílias. Recebemos a média de dez meninas todos os anos”.
Hoje a técnica treina 206 crianças nas equipes feminina e masculina em diferentes categorias e conta com a ajuda da professora Elizandra Aparecida de Lima, que auxilia nos treinamentos e competições.
Perguntada sobre o apoio da família, afinal, os filhos cresceram junto nas quadras, ela destaca que o marido sempre apoiou, e sempre que possível ele acompanha nas competições e os filhos sempre estiveram presentes, e a demonstração de apoio é que o filho mais novo quer estudar educação física também.
Para o futuro, Marilei destaca que desde o início sempre teve muitas expectativas, nesse período passou por muitos processos, cometeu erros, conquistou títulos, mas tem um sonho que ela ainda quer realizar, que é construir um CT – Centro de Treinamento em Anita, para o futsal feminino. “Esse é um dos meus sonhos, construir um CT completo, que em Santa Catarina não tem e quero promover isso na região”.
Outra realização profissional é ver que atletas que iniciaram seus treinamentos com ela, hoje em estão em grandes clubes como o Flamengo e o Grêmio, em diferentes categorias. “Quem se destaca, quem sonha junto e se dedica conquista bons lugares. Ainda tenho o sonho de alguma atleta que saiu daqui, ser convocada para a seleção brasileira”, enfatiza.
Aos poucos Marilei vai diminuindo o ritmo e a expectativa é trabalhar mais dois anos e depois aproveitar as licenças que tem e a família. “Sou muito feliz, realizada. As vezes é cansativo mas tudo recompensa, nesses anos vivi experiências únicas e só tenho a agradecer”, finaliza.


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