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RECICLAR

João Maria

Novos números sobre reciclagem no Brasil mostram que o
país reaproveita 11% de tudo o que joga na lata do lixo ? cinco vezes menos do que nos países desenvolvidos.

O plástico, certamente, ocupa posição de destaque entre os materiais mais utilizados atualmente. Ele está na garrafa de refrigerante, no computador, no vestuário, nos encanamentos de nossas casas, nos CDs, nas embalagens, nos automóveis, enfim faz parte de nosso dia-a-dia.

De acordo com os dados reunidos pelo Cempre, uma entidade especializada no assunto, o Brasil está melhor nesse indicador, mas assim são apenas 327 os municípios que dispõem de algum sistema público de coleta seletiva, 6% do total. O trabalho revela também que os índices brasileiros de reciclagem variam muito de acordo com o material em questão. Enquanto o país é o campeão mundial de reaproveitamento de garrafas PET e latas de alumínio, plástico e latas de aço têm como destino os "lixões" a céu aberto. A razão: esse é um setor ainda dado a improvisos, como cooperativas que marcam hora para buscar o lixo mas não aparecem ou firmas especializadas que só enviam às empresas recicladoras uma parte dos detritos ? o resto vai para um lixo comum.

Especialistas ouvidos jogam luz nesses e noutros obstáculos à vista para quem quer reciclar, mas são contundentes em relação à necessidade de começar já. Os benefícios ao meio ambiente são mensuráveis, como mostram os dados a seguir: os campeões em reciclagem: eis os cincos materiais mais reciclados no Brasil e em que medida seu reaproveitamento causa impacto positivo ao meio ambiente: latas de alumínios: 94%. Produção de autopeças e novas latas de alumínio. Em 2006, as 140.000 toneladas reaproveitadas significaram uma economia de 2.000 gigawatts, o suficiente para abastecer de energia o Ceará inteiro durante um ano; papelão: 77%. É usado na confecção de caixas de papelão. As versão reciclada consome cinqüenta vezes menos água limpa e metade da energia gasta na produção de uma nova caixa: garrafas PET: 50%. Metade serve à fabricação de fibras de poliéster e o restante, a produção de tubos, laminados e resinas para a indústria. As garrafas PET figuram entre os detritos mais volumes numa lixeira, portanto sua reciclagem previsse o agravamento de um problema crônico: a lotação dos aterros sanitários; papel: 50%. Além de se transformar de novo em folhas, é utilizado na produção de papel ? toalha, guarda - napo e papel higiênico. A cada tonelada reciclada, salvam-se vinte árvores de áreas reflorestadas; vidro: 46%. A maior parte se presta à produção de mais garrafas ? o que sobra é basicamente utilizado na composição de asfalto e na fabricação de espuma. Só em 2006, foram poupadas 400.000 toneladas de minerais e energia suficiente, para abastecer uma cidade do tamanho de Porto Alegre.

João Maria da Silva

Revista Veja ? edição 2 024 ? ano 40 ? n 35 ? pg. 118/119, 5 de setembro de 2007.Mundo Jovem ? ano 45 ? n 382 ? pg 17 ? novembro de 2007

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