Uma semana de reencontros, homenagens e muitas emoções
Quem visita o município de Abdon Batista e percorre as ruas da cidade, com certeza chama a atenção a Casa da Memória, local que no passado, serviu de moradias das Irmãs da Congregação da Imaculada Conceição de Castres e por anos a estrutura recebeu alunos do Colégio José Zanchett.
Essa história foi rememorada na última semana, com a chegada das Irmãs Azuis, pertencentes a Congregação da Imaculada Conceição de Castres, e dentre elas duas religiosas que por longos anos viveram em Abdon Batista e dedicaram suas vidas a ensinar muitos abdonenses.
Irmã Celina Maria de Arruda e a irmã Deolinda Terezinha de Almeida foram as fundadoras do Colégio José Zanchett e puderam reviver os anos em que estiveram no município. A congregação permaneceu em Abdon Batista por um período de 37 anos e faz 27 anos que saíram de Abdon.
O grupo formado por irmãs, missionárias leigas e o padre Ildefonso chegaram em Abdon Batista na terça-feira (6) e permaneceram até no domingo (11). A comunidade abdonense abriu as portas para receber as religiosas e as missionárias, que percorreram as comunidades do interior levando fé e palavras de otimismo e conforto a comunidade.
Motivada pelos ensinamentos das irmãs, quando estavam em Abdon Batista, a abdonense Lurdes Corona sentiu o chamado e há mais de quarenta anos, faz parte da congregação e agora chamada de Irmã Lurdes, teve a oportunidade de retornar a sua cidade natal em missão. “É um sentimento forte de gratidão, saudade e desejo de compartilhar a vida e a missão com esse povo maravilhoso”, destaca irmã Lurdes, que relembra a vivência desde a infância, a frequência e estudos no colégio José Zanchet e o testemunho das irmãs durante os longos 37 anos de história que durante a semana foi revisitada e causou muita emoção. “Essa semana missionária, foi um milagre do amor de Deus para a nossa vida e por encontrarmos pessoas que há anos não víamos, pois saímos daqui há 27 anos atrás. Estamos muito felizes e agradecemos esse povo de Abdon, por nos acolher”, comenta Irmã Lurdes.
Com seus 88 anos de idade, 63 anos de vida religiosa, olhar atento e um carisma e carinho que transmite ao falar, Irmã Celina Maria de Arruda foi uma das fundadoras do Colégio José Zanchett e pode durante sua passagem pelo município, reviver histórias, momentos e relembrar os 21 anos em que morou em Abdon Batista. “Eu cheguei em 1961 junto com outras irmãs e permaneci até 1971, depois de um tempo retornei e morei mais 11 anos. Reviver tudo isso é um sentimento de gratidão a Deus por dar essa oportunidade e ao povo que nos acolheu. Vejo que a semente que lançamos aqui germinou e está frutificando”, destaca irmã Celina que atualmente reside em Cuiabá.
“Estou muito feliz e quero agradecer esse povo muito querido. Sai daqui, mas levei no coração e até hoje não esqueço desse povo. Peço que continuem caminhando e dou os parabéns pois a gente vê que é um povo abençoado por Deus”, finalizou irmã Celina.
A irmã Deolinda no sábado pela manhã, oportunidade em que a administração municipal realizou uma homenagem e o reconhecimento das irmãs com o título de cidadãs abonenses, ela teve uma indisposição, apresentou quadro febril e precisou ser levada até o hospital em Campos Novos, porém a sua homenagem foi realizada em cerimônia no sábado à tarde.
Na oportunidade o Padre Paulo, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, também recebeu o título de Cidadão Abdonese.

O Prefeito Lucimar Salmória que auxiliou na vinda das irmãs para o município e esteve a frente das homenagens destacou o sentimento de consciência tranquila por estar homenageando as irmãs, por tudo o que fizeram pelo município. Essa semana foi coroada de reencontros, emoções e de um calor humano muito intenso, e que bom que podemos fazer essa homenagem juntamente com os vereadores, vice-prefeito e toda equipe da administração pública para que as irmãs de fato tenham uma mensuração da dimensão da importância que elas exercem em nosso município. As Irmãs Azuis são parte da nossa história, fazem parte do nosso presente e com certeza influenciarão em nosso futuro, portanto nossa gratidão”, finalizou.
Padre Paulo falou da alegria em acolher as Irmãs Azuis, juntamente com as missionárias leigas e o padre Ildefonso. “É uma emoção nossa e de toda a comunidade do povo abdonesne por ter a felicidade de termos a irmãs a tanto tempo aqui e a semente produzida e plantada, deixada pelas irmãs continua viva e produzindo frutos na nossa comunidade. A vinda das irmãs veio em um momento ímpar, onde a paróquia celebra 80 anos de criação e a presença das irmãs e missionárias dentro desse ano é um presente de Deus para todos nós”.
Além das homenagens, as irmãs puderam reviver a história no antigo colégio José Zanchett. Em visita ao espaço que hoje abriga da Casa da Memória, as irmãs percorreram os corredores, salas de aula e os espaços que remeteram as lembranças do início da educação no município. O colégio antigamente também servia de internato e parte do dormitório das irmãs foi restaurado e organizado com camas e utensílios para que as religiosas passassem a noite.
O grupo também visitou os pontos turísticos do município e pode conhecer um pouco da cultura e o desenvolvimento de Abdon Batista.



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