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Quando os olhos se fecharam, outra vida renasceu
Era julho de 2017. Durante mais de um mês, João Maria da Silva lutou bravamente contra problemas psiquiátricos e insuficiência renal. Sempre aos cuidados carinhosos da família, chegou o dia da despedida. Os olhos da vida se fecharam. Foi nesse momento que o ato de amor e solidariedade de doar órgãos possibilitou o renascimento de uma outra vida através da condição de voltar a enxergar, por meio da recepção das córneas.
E você, já pensou em ser doador de órgãos? Neste mês de setembro intensifica-se a campanha sobre doação de órgãos, através do Ministério da Saúde. Já o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos é celebrado em 27 de setembro.
Após 1 ano e 2 meses do falecimento do saudoso João Maria, a viúva Maria Scaini da Silva e a filha Juliana Regina recordam o momento em que ao despedir-se do marido e pai, tomaram a decisão da doação.
Na época, o professor, escritor, colunista do Jornal Correio dos Lagos, casado, pai de dois filhos e avô de dois netos, João Maria, tinha recém completado 66 anos, estava internado no Imperial Hospital Caridade, na capital Florianópolis. "A equipe médica nos explicou sobre a gravidade do caso de saúde dele. Disseram ainda que ele ficaria com sequelas", contaram mãe e filha.
Mulheres de muita fé, elas se dirigiram a uma igreja próxima ao hospital para intensificar pedidos de força a Deus. Em pouco tempo, quando a filha e uma das irmãs estavam visitando João na UTI, sentiram ser o último contato. "Nós estávamos rezando com ele, quando os aparelhos começaram a apitar sem parar. Vieram os médicos e enfermeiros, saímos da sala com o coração em pedaços. Ali eu senti que ele estava falecendo. Não queria acreditar", lembra a filha Juliana emocionada.
A triste notícia se confirmava. O médico plantonista foi até Juliana dar a notícia sobre o óbito do seu pai. "Muito educado, o médico esperou eu ficar mais calma e então disse que teria a possibilidade de doar as córneas do meu pai. Perguntou se essa era a vontade dele e se nós enquanto família aceitaríamos. Na hora disse que sim, foi imediata minha reposta. Então ele orientou que os responsáveis iriam procurar nossa família para a autorização da retirada das córneas", relata Juliana.
Maria chegou em seguida ao hospital e prontamente concordou com a decisão da filha.
Segundo elas, João nunca havia manifestado diretamente que queria ser doador de órgãos, mas suas atitudes sempre foram em fazer o bem, como destaca Juliana: "Meu pai sabia muito bem que eu iria permitir a doação de suas córneas. Se tomei essa decisão foi porque ele me ensinou a agir desta forma, a ser assim. Ele quem plantou esses sentimentos bons em mim".
Após a assinatura da autorização, o procedimento foi rápido e impecável, conforme elas explicam: "Não houve demora para realizar o procedimento, tudo muito organizado. Eles enfatizaram que reconstituíram totalmente os olhos, que não seria notável e realmente não se percebia nada de diferente".
A família não sabe quem foi o receptor da doação das córneas. Segundo Juliana, existe o prazo de três anos tanto para quem recebeu quanto a família que doou para se conhecerem. "É uma vida que renasceu num momento tão triste para nós. Um momento doloroso que teve coisas bonitas em relação à vida. O pai sempre falava: faça o bem e não olhe a quem. Com certeza quem recebeu e a família dessa pessoa nos mandaram forças através de orações e energias boas".
Maria e Juliana tornaram-se doadoras de órgãos e guardam consigo a certeza de que o saudoso João Maria ficou feliz com o gesto. "Os olhos que Deus permitiu a ele poder enxergar, estudar e ensinar se fecharam numa noite e as córneas dele deram a visão à outra pessoa. É uma situação que parece ser distante, mas a vida nos surpreende", destacaram.
Do momento difícil para quem está perdendo seu ente querido, uma nova vida renasceu. "Nessas dificuldades da vida temos que ser fortes e entender. Um pouquinho dele continua em nosso meio", concluíram mãe e filha, incentivando para que outras pessoas pratiquem esse gesto, pois são muitos os que aguardam pelo "sim" de famílias como a de João Maria.


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