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A genética da cultura italiana presente em Anita
Daqui poucos dias, José Afonso Zanoni completa 89 anos, e destes, 68 vivenciados em Anita Garibaldi. Entrevistar esse anitense de coração tem vários motivos especiais, sendo um deles em alusão ao Dia Nacional do Imigrante Italiano, celebrado em 21/02.
Seu Zanoni, forma como amigos e comunidade lhe chamam, é natural de Nova Veneza, a cidade mais italiana de Santa Catarina. Na genética dele está a cultura da Itália, trazida pelos pais José Zanoni e Tereza Moro Zanoni, que embora nascidos no Brasil trouxeram em todos os aspectos os traços do país europeu.
Filho mais novo, José Afonso decidiu acompanhar a Madeireira Savaris em que trabalhava em Nova Veneza e vir para Anita Garibaldi. Na época ele tinha 20 anos, se estabeleceu na comunidade de Nossa Senhora de Lourdes, onde funcionava a madeireira e aqui escolheu permanecer. "Conheci uma moça e casei com ela, formamos nossa família e passei a ser cidadão de Anita", recorda com alegria.
Os familiares de José Afonso permaneceram no Sul do estado. "Vim só eu pra cá, meus parentes são todos de lá. Tem até um capitel no interior de Nova Veneza, que é um ponto turístico lá do município, que foi construído pelo meu avô materno, o Angelo Moro. Costumo visitar bastante meus parentes, lá eles vivem muito a cultura italiana em festas, nos costumes em geral, tem até um hotel que um dia por semana é comida italiana. O nome da cidade é em homenagem a Itália, e as localidades, lajeados, igrejas tem nome também de lá", explica.
Zanoni foi casado com Elizia Menegazzo Zanoni, que faleceu em 2013, e também era descendente de italiano. Porém, ele destaca que a vivência dessa cultura foi ainda mais forte quando Zanoni morava com a mãe em Nova Veneza, pois teve pouco convívio com o pai, que faleceu logo depois do nascimento do filho, três meses depois. "Falávamos em italiano em casa e até hoje sei falar nessa outra língua. Quando eu e meu amigo Bepe Comin, de Celso, nos visitamos conversamos bastante em italiano. Eu e ele viemos para cá quase na mesma época, e nossa amizade começou de quando trabalhava na serraria. Eu e o pessoal da serraria íamos pra Celso pra cantar música italiana, porque aqui em Anita não tinha muito essa tradição. Fiz muitos amigos lá dessa forma, nas festas", lembra. "Aqui em Anita eram poucos descendentes de italiano, tinha algumas famílias que eram do Rio Grande do Sul, mas a maioria era em Celso", completa.
Pai de 11 filhos, sendo oito vivos, Seu Zanoni relata que eles entendem algumas palavras em italiano. "Mas depois que me casei não criamos o costume de falar outra língua senão o português".
A comida típica também faz parte dos aspectos que Zanoni ressalta como traços da cultura que descende: "Guardo na memória a polenta que minha mãe fazia, que é a comida mais tradicional da gente italiana, era polenta com galinha, queijo... acompanhava o restante. O radite e vinho também são bem populares".
Zanoni trabalhou como agricultor, marceneiro e outras profissões fizeram e fazem parte de sua vida. "Eu sai no mundo e vim parar aqui em Anita, trabalhei 12 anos na madeireira como marceneiro, fui carpinteiro, fiz casa em muitos lugares. Não herdei dinheiro, só herdei saúde e amizade, o mais eu me dediquei bastante. Deus me abençoou e meu pilar foi minha esposa. Fiz muitos móveis aqui para Anita, região e outras cidades. Me aposentei em 1996, mas continuei trabalhando, inclusive com meus filhos e neto, pois alguns deles seguiram minha profissão. Estamos na sexta ou sétima geração de marceneiros", conta com entusiasmo.
Seu Zanoni lembra que fez parte de vários segmentos da sociedade, citando a religião, educação, política e segurança. Foi vereador de 1973 a 1977, sendo nesse período também presidente da Câmara. É também muito conhecido pelos anos dedicados a marcenaria. "Quando vim pra cá eram nove casas onde hoje é a parte urbana. Logo que a madeireira onde trabalhava foi embora, aluguei uma casa na cidade, e comecei com a marcenaria, e depois fiz um espaço maior para trabalhar".
O pioneiro da família Zanoni em Anita ressalta a gratidão pela terra e o povo que lhe acolheu. "Quero agradecer o povo de Anita, que tanto me considerou e considera. Sou muito grato por me acolherem, valorizarem meu trabalho. Sempre tive boa convivência, tenho muito carinho pelos clientes e aqui fiz muitos amigos. Por isso me considero anitense de coração, pelo respeito e admiração que tenho por esse município e pelas pessoas", concluiu de forma grata o anfitrião dos Zanoni.


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