O VALOR DA AMIZADE

João Maria da Silva. Endereço eletrônico: joaomaria.ag@gmail.com

Fernando Junior Ambrosio

“O amigo vê e ouve o que não somos capazes de ver nem ouvir. Assim sendo, pode fazer por nós o que não temos como fazer por nós mesmos”.
    A palavra tem significados diferentes de acordo com o texto ou o discurso em que figura. A importância disso é capital, pois significa que,  para interpretar uma palavra, precisamos nos debruçar sobre o contexto do qual faz parte ou escutar verdadeiramente quem a profere. Do contrário, não a entendemos. O ensinamento básico de Sigmund Freud é esse e bastaria para justificar a psicanálise, se isso ainda não fosse necessário.
    A maioria das pessoas, no entanto, não se dispõe a escutar. Poucos nascem com essa capacidade, que pode ser desenvolvida. Escutar é um ato generoso. Implica que eu deixe momentaneamente de falar e esteja aberto para que o outro tem a dizer.
    A escuta é característica do psicanalista e também do verdadeiro amigo – que não impõe a sua presença, não diz o que não deve ser dito e, assim, faz com que a amizade floresça. Ou seja, o amigo sabe se conter, exercita-se na ética da contenção. Por isso, ele é de paz e a sua maneira de ser pode servir de modelo para todas as outras relações: marido e mulher, pais e filhos e irmãos.
    O que o filósofo e historiador grego Xenofonte escreveu 2 400 anos atrás poderia ter sido escrito Hoje: “ Um bom amigo é o mais precioso de todos os bens. Está sempre pronto a auxiliar... Há homens, contudo, que investem toda a sua energia no cultivo de árvores, para colher frutos, e são negligentes com o amigo, o bem que mais frutifica”. O amigo vê e ouve o que não somos capazes de ver nem ouvir. Assim sendo, pode fazer por nós o que não temos como fazer por nós mesmos. Como o analista, ele ilumina o caminho.
    Ele sabe suspender o seu desejo para que o outro se manifeste. O que ele mais quer é o acordo. Está menos interessado nos eventuais benefícios materiais que a amizade pode trazer do que no fornecimento desta. Visa sobretudo ao contentamento do outro e não deve ser confundido com o cúmplice, que visa ao próprio interesse e se liga a alguém em função do que almeja alcançar.
    O elo de cumplicidade tende a ser efêmero, enquanto o de amizade é para sempre. Em outras palavras, o amor dos amigos nunca é de agora, e sim para a vida inteira. Também por isso, há milênios a amizade inspira escritores, que se perguntam de que modo escolher um amigo, quais as características de um amigo verdadeiro e que nós devemos a ele. Os escritores – os melhores, entre eles – sabem que a amizade nasce espontaneamente, mas só dará os seus melhores frutos se for cultivada.
    “O homem não é uma ilha que possa viver isolado”. (Dinamor)
    “Nunca a fortuna põe um homem  em tal altura que não precise de um amigo”. (Sêneca)

Referência:
MILAN, Betty. In. Revista Veja – ed. 2 144 – ano 42 – n. 5l - 13 de dezembro de 2009 – p. 197.
 

João Maria da Silva.
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