AUTOAJUDA

João Maria da Silva. Endereço eletrônico:joaomaria.ag@gmail.com

Fernando Junior Ambrosio

O gênero que se propõe a auxiliar e confortar as pessoas nas questões espinhosas da vida é e um fenômeno editorial que só faz aumentar: nunca tantos escreveram para orientar, e nunca tantos leram em busca de orientação.

"Nenhum homem é uma ilha", escreveu o inglês John Donne em 1624, em uma frase que atravessaria os séculos como um dos lugares-comuns mais citados de todos os tempos. Todo lugar-comum, porém, tem um alicerce na realidade ou nos sentimentos humanos – e esse não é exceção. Donne foi um dos poetas extraordinários de seu idioma, conhecido sobretudo pelos versos sugestivamente eróticos. Mas quando distinguiu os homens, dependentes uns dos outros por natureza, das ilhas isoladas por definição. "Cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra".

A vida moderna, porém, alterou-o de maneira drástica. Em certos aspectos, partiu o continente humano em um arquipélago tão fragmentado que uma pessoa pode se sentir totalmente separada das demais. Vencer tal distância e se reunir aos outros, entretanto, é um dos nossos instintos básicos. É a ele que atende um setor do mercado editorial que cresce a saltos largos: o da autoajuda, em particular de uma autoajuda que se pode descrever como espiritual.

O gênero humano, de fato, é herdeiro de todas as formas de escritas conhecidas. O alento, o esclarecimento e a orientação espiritual podem vir em memórias e biografias. Podem estar na poesia, cujas nuances captam tão bem os estados de ânimo mais indefiníveis, e na prosa, que nos irmana para além do tempo e das circunstâncias. Pode estar na Bíblia ou em outros textos sagrados, é claro, e na filosofia, que afinal de contas existe para refletir sobre a condição humana. Pode até estar nos quadrinhos. É, enfim, um propósito a que escritores e pensadores de todas as tendências e dimensões vêm se dedicando desde os primórdios da palavra escrita, porque a solidão e a perplexidade são inevitáveis à condição humana.

James Hunter disse: "O brasileiro é muito espiritualizado, e quer ler sobre amor e dedicação".Assim se refere Mark Baker: Os ensinamentos de Jesus são a maior de todas as fontes de paz interior e argumenta que quem tem fé em Deus está menos sujeito a ter problemas com bebida ou drogas, leva uma vida mais saudável.

Padre Fábio de Melo: "Só o amor faz ser livre, porque quebra os cativeiros que nos aprisionam. Ele tem o dom de devolver a liberdade. Não podemos acreditar no amor de quem nos aprisiona e nos mantém em cativeiro".

E diante de tudo isso, feito o rescaldo do que os autores têm a dizer, vê-se que impera a simplicidade: amar, aceitar, ter paciência, cultivar a alegria, desprender-se das miudezas do cotidiano, trabalhar por um mundo melhor para si e para os outros são os conselhos que estão no fundo de cada um dos novos "best-sellers". Conselhos amigos e que, apesar de já terem sido oferecidos de graça muitas vezes antes, continuam valendo ouro.

 

Referências

BRASIL, Sandra; MARTINS, Sérgio; SALGADO, Raquel. In. Revista Veja – edição 2141

- ano 42 – n. 48 – 02 de dezembro de 2009.

 

João Maria da Silva.
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