25 anos de sacerdócio de padre Elias, no ensino da Teologia e com o povo

11 Abril 2019 17:48:00

Por Thaís Soares - 653

No dia 19 de março de 1994 acontecia no Ginásio de Esportes de Anita Garibaldi, a celebração de ordenação sacerdotal do anitense Elias Wolff. Natural da comunidade de São José, o filho de José Wolff e Maria Ilda Wolff, tinha 33 anos na época. Apenas ele e Sérgio Durigon se tornaram padres em Anita nas últimas décadas.

Padre Elias celebrou na comunidade de São José e na Matriz de Anita os 25 anos de ordenação presbiteral, além da Paróquia Santo Antônio em Curitiba, onde reside atualmente. Com 54 anos de idade, o sacerdote agradece a Deus as experiências ao longo da caminhada religiosa. Em entrevista ao Correio dos Lagos, ele conta sobre sua trajetória no ministério de padre enquanto professor de Teologia e atuação na comunidade pastoral.

Correio dos Lagos - Como surgiu o chamado para o sacerdócio?

Padre Elias Wolff - Surgiu de uma família sempre participante da igreja, onde, naturalmente, dentro de casa também estava presente à oração em família, como a reza do terço. Desde muito pequeno comecei a atuar na comunidade, participava de Grupos de Família e era catequista já aos 13 anos.

Correio dos Lagos - Quando foi para o Seminário? 

Padre Elias - Fui para o seminário em 1980 com os Padres Carlistas, em Guaporé/RS, onde fiz o ensino médio, noviciado e filosofia. Em 1990 vim para a Diocese de Lages e fiz Teologia em Florianópolis. Quando fui para o seminário tinha mais três anitenses lá, tivemos um rápido convívio.

Correio dos Lagos - Depois da ordenação em 1994, como foi sua trajetória? 

Padre Elias - Nos anos de 1994 e 1995 fui vigário paroquial em São Joaquim; em 1996 vim morar em Anita por seis meses, porque estava me preparando para ir estudar em Roma, na Itália, então neste período ajudei na Paróquia Santa Bárbara. De 1996 até 2000 estudei e morei em Roma, onde fiz mestrado em Filosofia e doutorado em Teologia. Uma experiência muito positiva, na época estava me preparando para atuar como professor de Teologia, e quando voltei ao Brasil em 2001 até 2013 dei aulas na Faculdade de Teologia em Florianópolis e nos finais de semana atuava em paróquias. De 2013 até os tempos atuais leciono Teologia na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Curitiba, e ao mesmo tempo sou pároco da Paróquia Santo Antônio, no bairro Parolin em Curitiba.

Correio dos Lagos - Em Roma se concentra a sede da Igreja Católica, e no Vaticano é a residência oficial do Papa. No período em que morou lá, teve contato com o Papa João Paulo II?

Padre Elias - Na época participei de muitos eventos com o Papa João Paulo II, consegui ter bastante vínculos. E duas coisas me chamaram bastante atenção nele: primeira foi a grande abertura que ele deu para o diálogo das religiões, que é também o meu tema de pesquisa; e a segunda foi o trabalho com os jovens, como a Jornada Mundial da Juventude iniciada por ele.

Correio dos Lagos - Como descreve essa caminhada de 25 anos de vida religiosa? 

Padre Elias - Uma experiência maravilhosa e muito realizadora em tudo que fiz. A maior parte desse tempo foi sempre dedicada à faculdade, ao ensino e estudo da Teologia, também formação de outros padres. Eu gosto muito disso. A experiência do ministério de padre foi mais como professor. O fato de sempre ter mantido vínculo com a comunidade pastoral sempre foi algo muito positivo, conhecendo e vivendo com a realidade do povo.

Correio dos Lagos - Quais são os desafios de ser padre?

Padre Elias - São muitos os desafios, mas destaco alguns: 1- Ser padre como o povo precisa, significa conhecer e viver a realidade. Padre não pode pensar em si, nos seus gostos pessoais, mas em tudo que ele fizer tem que ver no que colabora para o povo viver melhor. 2- Valorizar o trabalho dos leigos, das lideranças de pastorais, catequistas, conselhos. São pessoas que fazem parte da missão da igreja. 3- O testemunho do evangelho leva a igreja na rua. As questões sociais de economia, política, pobreza, injustiça, corrupção... fazem parte da missão da igreja. É preciso caminhar nas dimensões espiritual e social. 4- Viver o ministério no diálogo com outras igrejas. Não somos os únicos que falamos de Deus. Precisamos respeitar e tentar fazer um trabalho conjunto para o bem do povo. 5- O padre tem que estar continuamente atualizado na sua formação, tanto teológica quanto sociológica. A igreja precisa se adaptar aos tempos, estar a serviço do mundo e colocar as mãos nas realidades a fim de contribuir para resolver os problemas que aí estão.

Correio dos Lagos - Como descreve a presença da sua família na vida sacerdotal?

Padre Elias - Eles sempre foram um apoio, presença desde o início da escolha pelo sacerdócio. Como padre ajudo a ser pastor na própria família, a orientar e dar conselhos. A vida de padre também é vivida dentro da família.

Correio dos Lagos - Atualmente, além da família, quais são seus vínculos com Anita? Pretende retornar à terra natal?

Padre Elias - Escolhi fazer as celebrações aqui pelo vínculo e carinho que tenho com Anita. Tem muitos parentes e amigos, venho frequentemente para cá. Agradeço ao povo da comunidade de São José, de toda a Paróquia Santa Bárbara e da Diocese de Lages, da qual faço parte. É difícil retornar para Anita, mas pretendo retornar a Diocese de Lages, aí depende da necessidade que o bispo apresentar.

Correio dos Lagos - Quais seus planos futuros?

Padre Elias - Pretendo continuar trabalhando nos dois espaços, tanto na academia quanto na orientação pastoral das comunidades.


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