A produção de soja e os desafios das más condições das estradas

Thaís Soares - 652

A soja é uma das fontes de renda dos agricultores da Região dos Lagos. Muito trabalho e investimento. Os resultados da produção são visíveis nesta época do ano, por meio da colheita dos grãos. Em Anita Garibaldi um obstáculo tem preocupado e causado prejuízos aos agricultores: as más condições das estradas para escoamento da produção.

Segundo o técnico agrícola da Copercampos de Anita, José Marcelo Mota, o município possui área de 1.600 hectares de soja nesta safra, com uma média de produção de 55 a 60 sacas/ha. "Os produtores da região estão investindo mais em tecnologia, sementes de qualidade e realizando um manejo mais eficiente da lavoura, melhorando a produtividade e consequentemente elevando seus lucros. Temos potencial para elevar essa produção, e a qualificação técnica do produtor caminha para isso", comentou o técnico.

Já o município de Campo Belo do Sul, de acordo com a Cooperativa Copercampos, possui 12 mil hectares, com média de 65 sacas/ha.

Na comunidade Nossa Senhora de Lourdes, no interior de Anita, o casal Gilmar Marcon e Neiva Apª Antunes Marcon trabalha com soja há 4 anos. Nesta safra a plantação foi de 23 hectares. A produção de leite é outra fonte de renda a 13 anos, do casal que tem dois filhos: Gabriele e Mateus. Porém a falta de incentivo e apoio do poder público tem desmotivado a família.

A equipe do Correio dos Lagos esteve na propriedade e conheceu pessoalmente a difícil realidade enfrentada pelos agricultores em dias de colheita. Para chegar a uma das lavouras de soja é preciso passar por uma ponte, a qual os moradores tiveram que fazer adaptações para que a colheitadeira pudesse passar. "Mas sem máquinas próprias as arrumações que tivemos que fazer oferecem risco, não tem como fazer algo bem feito assim", comentou Neiva.

Porém a situação ainda é mais crítica no acesso ao local onde está plantada a maior parte da produção da família Marcon e também contempla o acesso a lavouras de outros agricultores. Com dificuldade, foi possível percorrer de carro cerca de 500 metros da estrada, o restante só foi possível conhecer a pé. Somente tratores e motos conseguem trafegar na via. Visitamos o local no dia 27 de março, no dia anterior havia quebrado a carreta do trator por conta da estrada. Neiva desabafa: "O lucro do produto vai aí. São 13 anos que temos este terreno, antes plantávamos feijão e nunca passou nenhuma máquina, a Prefeitura nunca deu assistência. Só temos esse acesso e pra conseguir tirar a soja é com trator guinchado. Já fui atrás muitas vezes do prefeito, secretário de Agricultura e de Obras, vereadores e por fim fui atrás do promotor pedindo que nos ajudem, que arrumem essa estrada. E não fui pedir em cima da hora, são anos solicitando, será que não deu tempo ainda? É pura falta de interesse e incentivo a nós agricultores. Agora estamos terminando a colheita, mas um ano de dificuldade", argumenta.

A estrada tem extensão de 1,5 km, e por lá passam em torno de 600 sacas de soja só da família Marcon, pois tem mais produtores que precisam dessa estrada. "Se tivesse estrada entravam máquinas maiores pra colher e caminhão. Sem acesso demora mais, é mais custo, tem que tirar a soja com a carreta do trator, que é bem menor, e levar na cidade na cooperativa", explicam os agricultores.

O casal lamenta, ainda, que na produção de leite também não recebem apoio. "Solicitamos que limpassem o silo, pois precisamos para a silagem, e não vieram".

Em contato com o secretário de Agricultura, Milton Cláudio Borges, ele disse saber da situação, que não conhece o local, mas que iria verificar pessoalmente. Explicou que há 15 dias uma retroescavadeira destinada exclusivamente à Secretaria de Agricultura está realizando limpeza de silos, valos para escoamento da água e bebedouros nas propriedades. Perguntado sobre o trabalho da Secretaria voltado aos produtores de soja, Milton disse que quando solicitada pelos produtores, a Secretaria ajuda. "Eles quase não procuram a Secretaria, seria mais na questão dos blocos nosso trabalho. Não há projetos voltados a essa produção no município", comentou o secretário. Segundo ele, a antiga retro da Secretaria de Agricultura estragou, e por isso está sem utilização há mais de um ano.

A Secretaria de Obras também afirmou estar ciente da situação e que foi licitada a compra do material para arrumar a ponte. Sobre a estrada, a própria Secretaria de Agricultura, com a retroescavadeira arrumará bueiros no trecho.


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