O BERÇO DA HUMANIDADE

João Maria da Silva. Endereço eletrônico: joaomaria.ag@gmail.com

Fernando Junior Ambrosio

Pesquisa sobre a diversidade genética chega à conclusão de que o homem moderno surgiu há 200 000 anos onde hoje é a fronteira entre Angola e Namíbia.

A maior pesquisa já feita sobre a diversidade genética da África, berço da espécie humana há 200 000 anos, muda o cenário para um amontoado de areia, pedras e arbustos. O estudo, realizado pela Universidade da Pensilvânia, concluiu que o homem moderno surgiu numa região que hoje se situa na fronteira entre Angola e Namíbia, no sudoeste do continente africano. Nessa área vivem os 100 000 integrantes do povo san, ainda hoje formado por caçadores e coletores. Nenhum povo africano tem uma variedade genética tão grande quanto os sans, e foi justamente isso que levou os pesquisadores a concluir que seus antepassados deram origem à humanidade. Sabe-se que quanto mais distante da África, menor a diferenciação de genes das populações que hoje habitam os quatro cantos do mundo. A explicação é simples. A população original teve mais tempo para acumular variações em seu genoma. Chama-se a isso "efeito fundador". As populações mais distantes da África são descendentes de grupos migratórios pequenos e relativamente recentes. O que se traduz num conjunto genérico mais homogêneo.

A pesquisa conclui que os antepassados dos sans se espalharam pela África. Também calcula o ponto exato em que um grupo deles – talvez um bando tribal com não mais que 150 integrantes – teria deixado a África. Há 50 000 anos, cruzando o Mar Vermelho em direção à Ásia – e daí ganhando o mundo. A descoberta reforça a tese, consolidada nas últimas décadas pelas pesquisas genéticas, de que a humanidade descende de um pequeno grupo de "Evas e Adãos". A conclusão de que os sans se espalharam pela África e se tornaram nossos antepassados é reforçada pelo fato de certas características da língua falada por eles estarem presentes em diversas outras do leste da África, próximo de onde o homem moderno deixou o continente. Uma pesquisa de 2003 concluiu que o idioma dos sans pode guardar a chave para explicar a origem da própria linguagem humana. Os pesquisadores descobriram que todos os africanos são descendentes de catorze populações. Entre elas, os luos, grupo étnico do Quênia o qual pertence o pai do presidente americano Barack Obama.

A grande viagem – Os sans, ainda hoje caçadores e coletores: seus antepassados se espalharam pela África e, há 50 000 anos, deixaram o continente para colonizar a Ásia.

Os cientistas festejaram porque com uma peça-chave em mãos para a compreensão da origem da humanidade, das migrações que povoaram o planeta e das adaptações do homem ao meio. Ela se soma a pesquisas semelhantes feitas sobre os primeiros europeus. Também abre caminho para aplacar as chagas do continente africano, encontrando novos tratamentos para a aids, a malária e a tuberculose. Pessoas oriundas de grupos diferentes respondem de maneira diversa aos medicamentos.

"Os africanos têm sido negligenciados nas pesquisas no mapeamentos genético porque o acesso aos grupos com maior diversidade genética é difícil", diz a pesquisadora Sarah Tishkoff. Ela também avalia que os resultados de seu estudo serão importantes para mapear doenças genéticas características dos negros americanos. Com a pesquisa da Universidade da Pensilvânia, o Jardim do Éden pode ter ficado menos colorido, mas a descoberta de seu ponto exato no globo é mais um avanço no conhecimento da aventura humana.

 

Referência:

BEGUOCI, Leandro. In Revista Veja – ed. 2112 – ano 42 – n. 19. l3 de maio de 2009.

 

 



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