PRESSA

João Maria da Silva. Endereço eletrônico: joaomaria.ag@gmail.com

Fernando Junior Ambrosio

A vida no limite do tempo. Desde quando você não dá um tempo e aproveita o que há de melhor na vida?
    A depressão tem aumentado, justamente numa época que deveria ser muito antidepressiva. Hoje temos muitas opções de construir a própria vida com estilos individuais, temos uma liberdade maior do que tinham nossos avós e talvez  os nossos pais; é uma época de muitos convites para festas, para o desfrute da vida. Então é uma situação paradoxal.
    Uma hipótese é de que a aceleração na nossa experiência do tempo produz o esvaziamento da vida psíquica. Ou seja, quanto mais aceleradamente se vive, menos consistência tem o indivíduo. As pessoas que não deprimidas num sentido clínico, podem estar se queixando da mesma sensação de vazio e falta de vontade de viver. Esse sentimento corresponde a essa vivência que é quase reduzida a uma experiência permanente de você responder a estímulos, isto é, sem tempo de viver outras atividades. Nesse sentido, se houve cura, provavelmente uma experiência de desaceleração poderia promover, a médio prazo, que algo da vida psíquica pudesse se recompor.
    Porém a aceleração não depende da pessoa querer ou não querer: está no ritmo do capitalismo. Todo mundo tem esse: “Ah, um dia vou morar num lugar melhor, um dia...” Esse dia não sei se virá para a maioria de nós, porque vivemos numa sociedade que nos pode aceleração.
    Sociedade padronizada – Claro que a alta competitividade no campo profissional estimula as pessoas à aceleração. Nós vivemos respondendo aos desafios, às demandas, aos estímulos e ao que esperam de nós. Então você pode falar desse esvaziamento na medida em que se começa responder aos padrões. Embora seja paradoxal, porque vivemos numa sociedade muito livre. Não há uma imposição de forças sobre as pessoas, uma imposição rigidamente moral. Não há uma sociedade muito religiosa, muito militarizada, mas há uma imposição da imagem. E a tentativa de responder permanentemente a essa imposição de imagem é vivida como um impositivo.
    E talvez o depressivo, em relação a isso, sofra o pior tipo de culpa, que é a culpa de não conseguir obedecer ao preceito moral que aparentemente lhe é favorável. É diferente da culpa que o sujeito sente quando contraria todos os seus impulsos; uma moral rigidamente repressiva, por exemplo, que não permite o prazer. O sujeito por não responder, mas de certa forma ele perceberia que é um moral que vai contra seus impulsos. Hoje a moral vai a favor. Você tem que se satisfazer, de tudo de bom: sexo, objetos, lazer e, ao mesmo tempo, subliminarmente, todo esse tempo é atravessado pelo tipo de ritmo do tempo de trabalho.
    Veja o exemplo da publicidade. Só aparecem coisas boas, perfeitas, agradáveis etc. O fato é que a sua vida continua uma vida sem espaço para nada que não seja essa exigência do capital. Isso está imposto a nós.
    A ordem social atual se sustenta  sobre a nossa pressa, que é a pressa da acumulação do capital. Hoje nós vivemos num ritmo, que não é massacrante no sentido muscular, mas virtual. “Será que eu quero isso?”; “Será que todo mundo tem que querer?”. Todos estão consumidos pela pressa.

Referência:
KEHL, Maria Rita Bicalho. In. Jornal Mundo Jovem – Ano 48. n. 403 – Fevedreiro/ 2010. p. 2.  

João Maria da Silva.
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