APRENDER E PRAZER

João Maria da Silva. Endereço eletrônico: joaomaria.ag@gmail.com

Fernando Junior Ambrosio

Para viver, diz o escritor Rubem Alves, precisamos de dois tipos de ferramentas: dos conhecimentos necessários à sobrevivência, que aprendemos para chegar a algum lugar, e dos conhecimentos que  apenas nos dão prazer, como armar quebra-cabeças, jogar xadrez, que não existem para levar a coisa alguma e que aprendemos por puro prazer.
    “Só aprende quem tem fome e por isso é preciso despertar a fome de saber. Ensinar o voo não é tarefa que se possa fazer. Porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”. (Rubem Alves).
    Observando uma criança ensaiando seus primeiros passos e, mais adiante, aprendendo a andar de bicicleta e depois a escrever. No início, insegura frente ao desafio, precisa de alguém ao seu lado, incentivando e servindo de apoio. Não basta dizer os passos a serem dados; é dela mesma que precisa brotar a decisão de ensaiá-los até que, quase magicamente, se ponha a andar. E só o faz quando tomada pelo desejo de aprender. Então é capaz de descobrir-se, fazer e refazer os passos, errar e aprender com o erro, até acertar e poder dizer: agora sei! Aprendi! Curiosidade, desejo, esforço e dedicação são os combustíveis nesse trajeto.
    Alegria e dedicação – Aprender torna-se algo prazeroso à medida que também exige de nós esforço de superação. Não se chega à meta almejada sem percorrer o caminho que leva até ela. O caminho será tão mais bonito e encantado quanto forem os desafios enfrentados. Se não for assim, se tudo for muito fácil, não emana satisfação.
    Basta ver o caminho percorrido por um bom músico, um bom jogador de futebol, uma enfermeira, professora, dançarina, por uma mãe. Todos são o que são e fazem bem o que fazem na medida em que o seu aprender se tornou parte de seu ser. Na medida em que se colocaram com persistência no caminho escolhido, movidos pelo desejo de querer ser mais, de se tornar o que desejaram e se empenharam para realizar o seu sonho: aprendi música e me tornei músico. E o que faço, faço com prazer. Um prazer que gozo na medida e proporção do investimento neste sonho que me move.
    Curiosidade e autonomia – A aprendizagem humana não se resume ao saber escolar. Tudo o que somos e fizemos foi aprendido, prendeu-se ao nosso ser e está ligado a nossas escolhas de pessoas livres e responsáveis.
    Se o aprender é prazeroso e fruto do investimento de nossos esforços e aptidões para conhecer, no outro lado da moeda das aprendizagens humanas estão as mãos dos que nos apoiaram.
    Na aprendizagem de uma criança ela reconhece a liberdade, aprende a responsabilidade e a confiança em si.
    O prazer de aprender, dizia Paulo Freire, é prazer de descobrir, de construir e não de copiar. É o prazer de conhecer para intervir no mundo e transformá-lo.

Referência:
TEIXEIRA, Maria Isabel. In Jornal Mundo Jovem – Ano 48 – n. 403 – fevereiro/2010

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