AFRICANIDADES

Jandi

Fernando Junior Ambrosio

Mais da metade da população brasileira é afrodescendente, mesmo assim a sociedade insiste em ostentar trajetórias de homens e mulheres da elite branca. Contam-nos que a construção da identidade nacional passou somente pelas mãos de descendentes europeus.

Mas, a história não é bem assim. O Brasil teve e tem grandes nomes negros que deram fundamental contribuíção para o desenvolvimento da nação. Porém, muitas dessas personalidades que conhecemos não são apontados como afrodescendentes.

Muitas mulheres se destacam, num esforço para se tornarem cidadãs bem sucedidas e de destaques em suas áreas. Com isso, conquistaram respeito e admiração dos demais brasileiros em especial a população afro e se tornaram exemplos para sua e para novas gerações. Temos políticas, escritoras, médicas, engenheiras, advogadas,cientistas, famosas e anônimas que passaram pelas tradicionais barreiras para a ascenção social e conseguiram firmar-se na sociedade brasileira.

Em pleno século XXI no Brasil e pelo mundo afora ainda perduram ideias racistas. Considerando que a mulher , até a constituíção de 1988, era legalmente cidadã de segunda categoria, ser mulher negra significava não ter os direitos mínimos de cidadania assegurado juridicamente. Apesar da discriminação racial na vida das mulheres ser uma constante, muitas construíram estratégias próprias para superar as dificuldades decorrentes dessa problemática.

A mulher negra atual, é motivada por exemplos inegáveis de resistência de grandes mulheres que lutam e lutaram por liberdade, em terras africanas e depois no Brasil, quando continuaram a lutar sem aceitar a condição de escravas. Um grande exemplo é Aqualture, que era princesa na África, filha do rei Congo, capturada e feita escrava, organizou sua fuga e de outros escravos para palmares e chefiou uma das povoações quilombolas que levou seu nome.

Antonieta de Barros (mulher negra) inaugurou o cenário político catarinense por ter sido eleita a primeira deputada na Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina em 1934, num espaço onde tal fato ainda estava muito distante da maioria das mulheres de nossa terra. Por ter representado a quebra de estereótipos relacionados à etnia, classe social e gênero. A trajetória de Antonieta de Barros é um marco na luta dos que se interessam em promover em nosso país uma democracia de fato, onde a todos seja possível exercer os direitos de cidadania plena..

A luta das mulheres negras brasileiras contra a opressão vem ganhando força à medida que vão conhecendo seus direitos e seu valor. Precisamos assumir e traçar nosso destino histórico nesta sociedade que pretendemos construir, sem discriminação de qualquer natureza, seja social ou racial. Precisamos ver o dia 8 de março dia da mulher como um dia de luta e reflexão, para então tornar-se um dia também de comemoração para nós mulheres negras.

É com as palavras de Bob Marley cantor negro jamaicano que finalizo: "Ninguém pode voltar no tempo e fazer um novo começo. Mas podemos começar agora a fazer um novo fim". (ou um novo caminho).

 

Axé a todos.

Jandi



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